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Conselhos Universitários se posicionam contra o Meta 4
O diretor Fernando José Martins estava presente no evento

Reunidos em Londrina nesta quinta-feira (11), os Conselhos Universitários das sete Universidades Estaduais do Paraná reagiram de forma unânime contra Decretos e Resoluções do governo estadual que ferem o direito constitucional da autonomia administrativa, financeira e acadêmica das Instituições de Ensino Superior. A reunião conjunta foi organizada pela Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Público (Apiesp), com a participação de todos os reitores das IEES (UEL, UEM, UENP, UEPG, Unespar, Unicentro e Unioeste), acompanhados por seus conselheiros e representantes sindicais (docentes e agentes universitários), e do Comitê em Defesa do Ensino Superior Público do Paraná.

Realizado no Anfiteatro Cyro Grossi/CCB, no Campus da UEL, contou com a presença de cerca de 450 pessoas, e foi transmita online pelo canal Youtube, visualizado por mais de 2 mil internautas, durante toda a transmissão. Com duração de quatro horas foi finalizada com a aprovação unânime da "Carta de Londrina", documento textual da posição oficial das comunidades universitárias contra os "constantes ataques sofridos por atos de gestão do Governo do Estado, consubstanciados em Decretos, Resoluções e atas de reuniões sem validade legal..." , e com a reafirmação de "que o sistema de Ensino Superior do Estado é um patrimônio do povo do Paraná que não pode ser destruído por discursos e práticas que ataquem as bases de um sistema solidamente construído...", assim como da decisão de que "a comunidade acadêmica do Estado do Paraná, composta por mais de 100 mil pessoas, reage a este estado de coisas reafirmando a defesa inconteste do princípio constitucional da autonomia universitária e, como tal, dentre outras ações, não aceitará a adoção do META 4...". Íntegra do documento está publicado abaixo.

A reitora da UEL, Berenice Quinzani Jordão, anunciou ao final do encontro que ainda nesta sexta-feira (12) as Procuradorias Jurídicas da UEL e UEM deverão impetrar junto ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná um recurso conjunto contra a determinação do Governo Estadual para a utilização do sistema Meta 4 RH-Paraná para a gestão de recursos humanos. A ação se baseia em acórdão obtido pelas duas Instituições, que garante a Autonomia Universitária e Financeira.

Berenice Jordão explicou que a decisão em buscar o caminho judicial se dá pelo esgotamento das negociações e do diálogo. ?Em momento algum houve negligência, consideramos que estamos no limite. Houve o esgotamento do diálogo, então, só nos resta agora a via jurídica?, afirmou a reitora da UEL. O governo deu prazo final em 11 de maio para as Universidades Paranaenses aderirem ao sistema Meta 4. Das sete Instituições, UENP e Unespar já têm suas folhas de pagamento sendo processadas pelo software, em razão da data de fundação destas instituições.

Além da obrigatoriedade de uso do sistema Meta 4, os Conselheiros também debateram o questionamento do pagamento do Tempo Integral de Dedicação Exclusiva (TIDE) como regime de trabalho a professores. O benefício é garantido na Lei 14.825/2005 e prevê a remuneração para docentes com 40 horas semanais, que tenham produção acadêmica a partir do desenvolvimento e participação em projetos de pesquisa, ensino e extensão.

O presidente da Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior do Paraná (APIESP), reitor da UEPG, Carlos Luciano Vargas, considerou a reunião conjunta como um encontro histórico, "porque pela primeira vez se reuniu em um único local e data a representação máxima de todas as Universidades Estaduais do Paraná". Ele destacou que cabe agora aos reitores e conselheiros aprofundar as discussões do encontro junto às comunidades internas, e esclarecer também a sociedade sobre os reflexos e impactos destas decisões do governo estadual para o futuro social, econômico e cultural das comunidades onde as Instituições estão instaladas.

CARTA DE LONDRINA

As Comunidades Acadêmicas das sete Universidades Estaduais do Paraná, representadas pelos Conselheiros integrantes dos Conselhos Universitários de todas as Instituições Estaduais de Ensino Superior (IEES) do Paraná, integrantes do Comitê Estadual em Defesa do Ensino Superior Público do Paraná e demais integrantes do corpo docente, de agentes universitários e de estudantes das nossas Instituições, reunidos na Universidade Estadual de Londrina, em 11 de maio de 2017, apresentam sua manifestação em relação ao contexto de constantes ataques sofridos por atos de gestão do Governo do Estado, consubstanciados em Decretos, Resoluções e atas de reuniões, atos esses sem validade legal, na medida em que contrariam o princípio constitucional da Autonomia Universitária prevista nos artigos 207 da Constituição Federal e 180 da Constituição Estadual.

Lamentam, as comunidades acadêmicas das Universidades, que este ataque por atos normativos venha acompanhado de um discurso estruturado de contrapropaganda que objetiva convencer as demais estruturas de governo e a própria sociedade de que nossas Universidades representam um peso ao orçamento do Estado e que nelas falta transparência na gestão. Pior ainda é esse discurso ser assumido por outros órgãos de Estado, como o Tribunal de Contas, que também em seus discursos e práticas têm exigido o cumprimento de atos inconstitucionais e submetido os gestores das Universidades a condenações com o objetivo de intimidar a prática de atos amparados pelas disposições das Constituições.

Reafirmam que o sistema de ensino superior do Estado é um PATRIMÔNIO DO POVO DO PARANÁ que não pode ser destruído por discursos e práticas que ataquem as bases de um sistema solidamente construído, ignorando todos os resultados apresentados por nossas instituições ao longo do tempo, inclusive os resultados econômicos e a geração de riquezas que resultam em receitas ao tesouro do Estado.

Para restringir a apenas dois aspectos mais recentes desse ataque, um do Governo e outro do TC, cumpre-nos destacar a ação que objetiva descaracterizar o TIDE docente como Regime de Trabalho e firmá-lo como gratificação de caráter transitório. Tal medida, assentada na interpretação forçada da lei, pode ferir de morte a estrutura desse sólido sistema de Educação, Ciência e Tecnologia, conduzindo à precarização do trabalho com regimes parciais de atuação docente, transformando as Universidades em instituições unicamente de ensino, sem possibilidades do desenvolvimento da pesquisa, da extensão e da inovação.

Outra iniciativa, oriunda do Governo e apoiada pelo TC, é a inclusão das universidades no sistema RH Paraná META 4, sob a falácia de que falta transparência em nossas Instituições. O referido sistema objetiva implantar práticas de controle que desrespeitam a autonomia administrativa, financeira e de gestão definida pelas constituições federal e estadual. A transparência que se reclama está assegurada pelo repasse mensal de todas as informações de pessoal que é feito pelas Universidades diretamente à Secretaria de Administração em formato definido pela própria secretaria. Além disso, os portais da transparência de nossas Instituições deixam claro os pagamentos realizados a cada um dos servidores; e temos sistemas de gestão de pessoal em nossas Universidades que são nucleadores de um conjunto de sistemas de gestão que superam em muito a qualidade do META 4. Se falta transparência é sobre como e quanto o Estado paga por este sistema de folha de pagamento que pertence a uma empresa espanhola e quanto teve que investir para poder incorporar os servidores das universidades.

Neste sentido, a comunidade acadêmica do Estado do Paraná, composta por mais de 100 mil pessoas, reage a este estado de coisas reafirmando a defesa inconteste do princípio constitucional da autonomia universitária e, como tal, dentre outras ações, não aceitará a adoção do META 4 em nome da falácia da falta de transparência, nem outras medidas de ataque ao patrimônio material e moral que representam nossas instituições exigindo a tomada de providências para que a UENP e a UNESPAR sejam retiradas do sistema META 4 e possam assumir a plena gestão institucional, sujeitas à fiscalização do Estado nos termos da lei. Da mesma forma, reafirmamos a defesa do teor do Ofício 68/2017-APIESP que, com vasta argumentação técnica e jurídica, requer a revogação imediata do Ofício CEE/CC 310/2017, bem como da deliberação 01/2017-CPS, na medida em que se entende que o encaminhamento dos dossiês solicitados pela deliberação supra referida viabiliza a implantação do META 4, que fere a autonomia Universitária.

Londrina, 11 de maio de 2017

(Fonte: Agência de Notícias UEL)

Publicado em: 12/05/2017  |  Visualizações: 231
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